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Essas Árvores

Peguei a estrada bem cedo, olhando as árvores que passavam, (não era eu ) percebi que algumas nunca tinha visto ali. Mas como? Mas eu faço esse trajeto todas às quartas-feiras, quando vou às compras para meu atelier.

 

Entre faróis e buzinas, e o vento forte que fazia  quando os grandes ônibus passavam ao meu lado, segui até o café mais gostoso do caminho.

Pego a comanda e vou servindo-me do leite quentinho, café, bolo e um pedaço de queijo branco.

 

 Peguei-me ali pensando, nas árvores da estrada e lembrei das pessoas que muitas vezes andam ao nosso lado e não as percebemos. Engraçado que vemos gravetos que nos incomodam, folhas secas, ou mesmo toras que  atrapalham a arrumação do quintal, mas árvores? …

Mas elas estão ali, árvores como as pessoas não nascem grandes. Sobem devagar, e  passamos por elas , de folhinha em folhinhas e copa  sombria,mas somos incapazes de reconhecer isto porque queremos a árvore pronta.

 

Li certa vez uma reportagem que, no Japão, os idosos iam para a praça para conversar com as crianças para lhes passar sabedoria.

 

Talvez eu esteja envelhecendo muito rápido, pois estou reconhecendo meus pares.

 

Sentada nesse cantinho, pois escolhi sei lá porque, um canto do restaurante para  quem sabe vendo todos,   sentir  que estão tomando café comigo.

 

Os seres humanos se afastam para crescer e quando crescem se ajuntam para não serem destruídos. Certa pessoa ou grupo disse um dia; juntos somos mais forte. E somos.

 

 Uma floresta ainda bebé não mostra a sombra que dará. Nem seres recém nascidos traz a etiqueta do futuro. Pode ser cortada, as serras vagueiam como leão à cata de alimento.

                           

Por falar em alimento, o queijo branco delicioso  eu pego, e  olhando  em volta para que  soubesse que ninguém via, ia tascando no copo de café, quando percebi que não era café puro, era com leite, desejei mas não o fiz ia perder o sabor de  criança , esperei para na volta o fazer.

 

 Quando sentada agora na mesma mesa, sozinha como pela manhã, tomando o café das  três , agora café puro, com o queijo branco dentro  mexendo para ficar molinho com o calor do café…  Dei conta que as árvores cresceram ali durante o tempo que eu só quis ver as árvores que  estavam grandes e prontas.

                                                                                    

Estou aprendendo ver os canteiros desde a  raiz, e isso só é permitido    a quem empresta os olhos  para Deus,para quem aluga os olhos para o próximo,para quem dorme no sono da paciência e descansa na  verdade.

 

As mentiras da mocidade, sim pensamos que o tempo não passa, que somos fortes e invencíveis, mas isso até  surgir  uma estrada e  árvores nunca vistas.

 

 Entro no carro de volta para casa, e ao sentar no volante, deixo meus olhos caírem no radio , quero notícias da estrada  e do mundo , e dou com as fotos  de meus  netos. A foto estava ali bem no inicio dessa história, desde o comecinho,  quando vi as árvores que nunca estavam  e sempre estiveram lá, visto que não nascem  grande e nós também não. .

 

Os filhos cresceram e eu não vi, só quando as  mudas  apareceram os reconheci árvores de folhas  abundantes, galhos rijos e copa desenhada.

 

 Creio que, os pais dessa geração possuem mais tempo para os filhos, minha geração foi punida com a obrigação de ser grande e fazer filhos grandes e dá-los ao país, hoje o país faz a parte dos pais, então os pais podem ser pais.

 

Como o tempo passou eu agora desfruto desse tempo.

 

Quero ser avó, sem me queixar.

Há tempo para tudo debaixo dos céus, tempo para trabalhar e tempo para amar.

 

 Denise Figueiredo

 

In Razão para  amar”

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Publicado agosto 5, 2009 por Denise Figueiredo em PENSAMENTOS

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