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Esses homens…

 

Meu pai que me trouxe à luz,

Sorriso, palmatória e suas ilustrações…

 

Tranças que hoje eu penteei.

Vi as bonecas e os sonhos que muitas

vezes me pareceram bisonhos,

 mas virei mulher.

 

Meus olhos encenam a tragédia de muitas que eu confirmo,

são pérolas de um colar arrebentado.

 

As minhas tranças, eu as descabelei, lhes fiz um penteado moderno sim,

mas nas cores que o tempo ou a tendência me levam a tingi-los.

 

Envolvo os dedos longos nos fios menos longos que há uma década,

mas sinto a liberdade de ainda os encurtar mais um pouco.

 Quem sabe de não os encurtar.

 

O espelho logo à saída do living deixa-me ver o que não via há muito tempo,

ainda tenho pernas longas, talvez a razão de correr tanto

e sorrir, porque chego rápido e antes de todos e fico a esperar.

 

Acordo do êxtase!…             

Estou sentada junto às vidraças que dão para o aeroporto.

O lugar? Um Bistrô que segundo ele,

é onde servem o mais delicioso ravióli ao sugo na cidade

e debochado que só ele, ainda diz:

-Olha mãe, como esse você não sabe fazer… E sorri eu também.

Como ele paga, escuto e  como… E para o aeroporto vou rápida.

 

À minha espera uma reunião palestra dentro de quatro horas,

 descontando a hora e meia de vôo, nem minhas perninhas ajudariam.

Contei com a sorte de ter almoçado próximo ao aeroporto.

 

No vôo recordo as ruas alagadas que deixei na minha cidade,

por força de um temporal de verão.

Lembrou-me as tranças molhadas com

 a roupa agarrada ao corpo longo e magro

vendo os barquinhos descerem à rua sem calçamento central.

 

Naquela época, os subúrbios tinham ruas com meios fios calçados

e o centro da via era terra socada onde a água infiltrada na terra

não alagava ou arrastava areia para dentro dos córregos.

 

A chuva passou lá e eu passei…

Passei o vôo nessa chuva de tranças, laços e quimeras…

 

Agora mulher, sonhos de mulher. Antes eram sonhos de menina.

Já nem tenho mais as tranças as quais

me agarrava sempre para fugir ao tempo.

Seria eu um ser estranho ou ainda era possível receber flores e

ter a porta do carro aberta para sermos a companhia perfeita?

 

Entre a abertura da porta do avião e a esteira de bagagens,

muita gente que não vi. Apenas, passei por elas

 subindo e descendo escadas rolantes,

muitas, muitas, escadas.

Até sorri achando-me numa montanha russa de parque de diversão.

 

O fresquinho do interior do avião já se transformara

no calor seco do clima local e eu me inquietava.

Recordei das flores que é uma visão linda nos jardins da cidade

e fui andando com meus pensamentos

e uma pequena bolsa de viagem..

Quando chego ao portão de saída do aeroporto lá estava o carro

 e o cavalheiro com a mão na porta aberta

e no assento do carona, as rosas, um lindo ramo delas…

Muitas, eu não as contei só admirada sorri e o beijei.

O motorista?

Meu filho, morador da cidade onde fui fazer a palestra.

 

Denise Figueiredo

 No Livro Pérolas

 

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Publicado janeiro 1, 2010 por Denise Figueiredo em PENSAMENTOS

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