Eu, Lari e as Rosas…   Leave a comment


 

 

 

Eu, Lari e as rosas…

 

Minha companheira, tarde da noite acorda e manifesta o desejo de comer.

 

Fome não era, almoçamos as horas, o jantar foi às 18 e a ceia às 22. Tudo no horário.

Mas passava das três da madrugada e a impaciência fez abrir a geladeira tomar um suco e voltar para cama.

Trocando idéias, chegamos ao fundo do quintal do seu Anacleto.

Quem é Anacleto? Um vizinho do meu vizinho que da janela do quarto de hospede dá para vermos o seu quintal.

Desde que fora morar nesse apartamento ia para a janela dar boa noite para Deus e às vezes passava umas horitas ali, eu , Ele e o quintal do seu Anacleto.

A lua, sempre que o céu está limpo, dá-me o prazer de sua visita. Já o sol é o dia todo, entra e fica.

 Almoça e janta.

 

Agradeço a Deus por isso, a vida solitária faz ser a solidão uma espécie de desfribilador, ela nos acorda nas horas mais impróprias.

Bem…E o quintal do seu Anacleto?

 

 Um amontoado de quinquilharias, eu ficava olhando, seu Anacleto, soube que seu nome era outro, mas o chamavam assim, não arrumava, não limpava, ele era um bagunceiro, pensavam eu assim.

 

Mas as coisas não são como pensamos.

Vemos as pessoas só como elas aparecem, o sorriso, as palavras e o seu Anacleto, pelo quintal.

Mas ele era um doce de homem, às alturas ele corria para ajudar e salvar a esposa de uma enfermidade, sua viuvez foi algo esperado e não por ele, mas pelos que conviviam com o casal.

Sai da janela e voltei para a cama, mas já eram 6 horas e deveria ir caminhar, minha hora e meia no caminho é uma fonte de vida, pelo que ando e pelo que falo.

 

As pessoas na região não caminham, as cumprimento, embarco no Metro e vou caminhar muitos quilômetros de distância de casa.Na beira da praia.

 

 Seguia o dia normalmente se não fosse descansar o almoço no quarto de hospede e deitada não via o que acontecia lá fora. Mas ao levantar vi uma onda cor de rosa e vermelho que me fez voltar ao foco anterior, à quina do armário onde guardo o serviço de cama e mesa do uso diário.

 

Não acreditei no que via, rosas muitas rosas, um pendão vermelho da buganvília, uma palmeirinha quase que se escondia nas roseiras.

Onde estava esse jardim, ou onde estava eu no tempo que ele surgiu?

                                                                                    

Lari não perde tempo, máquina em punho clicou do modo que via, sou chorona mesmo, mal vi me derreti, havia coisa mais linda para ele mostrar aquela mulher antes dela ir-se e não a ver mais?

Imediatamente Lari aponta para mim e diz:

 

Claro que sim, o que ele fez por ela, deixando o jardim que tanto amava para cuidar dela enquanto existiu!

 

Olhei-me no espelho grande e não me vi…

 

Como eu achar que as rosas seriam mais que o amor, a doação dele por ela?

 

Mas tudo acabou agora o quintal do seu Anacleto estava desvendado e as rosas seriam o que eu veria à noite.

Ou sentiria, melhor dizendo.

 

Há coisas que o imaginário devora, outras ele esquece…

 

Não quero esquecer o quintal cheio de quinquilharias do meu vizinho e o surgimento, ou o acordar do jardim que agora eu via!…

 

 Denise Figueiredo

Do Livro Pérolas

© 2010

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Publicado abril 6, 2010 por Denise Figueiredo em PENSAMENTOS

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